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Contagem de Ondas

A contagem de ondas é uma ferramenta fundamental para entender a estrutura e a dinâmica dos movimentos de preço no mercado financeiro. Embora a teoria das Ondas de Elliott tenha sido pioneira nesse campo, oferecendo uma base inicial valiosa, o Método VF propõe uma abordagem evoluída.

Diferentemente da contagem de Elliot, frequentemente sujeita a interpretações subjetivas, a contagem de ondas do Método VF se destaca pela sua precisão e objetividade. Ela foi desenvolvida para refletir o comportamento real do mercado, corrigindo e aprimorando conceitos que Elliott, apesar de sua contribuição significativa, não chegou a explorar completamente – talvez parte daquelas 'coisas que ele não sabia que não sabia', por assim dizer. Esta abordagem busca eliminar ambiguidades e fornecer uma análise mais confiável dos ciclos de mercado.

Explicação para Leigos​

A ideia mais simples é esta: o preço nunca anda em linha reta. Ele dá passos na direção da tendência e depois faz respiros contra ela. A contagem de ondas é o placar desses passos.

Ela serve para saber "em que pé" a tendência está e, principalmente, para perceber o momento em que uma tendência morre e outra nasce no lugar. Esse momento é chamado de zerada.

Pense em uma tendência de alta:

  • As ondas ímpares (1, 3, 5, 7, 9...) são as pernadas de avanço. São elas que tentam fazer novos topos.
  • As ondas pares (2, 4, 6, 8...) são as correções. São os respiros contra a tendência.

Na baixa, a lógica é espelhada: as ímpares empurram o preço para baixo e as pares corrigem para cima.

O ponto principal

No Método VF, a contagem não precisa parar na onda 5. Enquanto a tendência continuar viva, ela pode seguir para 7, 9, 11 e assim por diante.

Quando Nasce uma Nova Onda Ímpar​

Uma onda ímpar nova só nasce de verdade quando o preço rompe o extremo da ímpar anterior.

Em uma tendência de alta, por exemplo, a nova onda ímpar só fica confirmada quando rompe o topo da ímpar anterior. Até isso acontecer, o movimento pode estar subindo, mas ainda está tentando provar força. É uma leitura intermediária, como uma "meia-onda" (4,5): existe tentativa, mas ainda não existe confirmação completa.

A Zerada: Quando o Placar Recomeça​

A contagem não cresce para sempre. Certos eventos zeram o placar e começam um novo ciclo, contado do 1 de novo.

Os principais eventos de zerada são:

  • Zerada 5-5: o mercado sobe em 5+ ondas e depois desce em 5+ ondas dentro dos limites da subida. A devolução veio com estrutura suficiente para empatar o jogo e recomeçar a contagem.
  • Zerada 5-3: uma correção que vinha descendo de forma organizada em 3 ondas tem sua estrutura quebrada.
  • Falha: o preço perde o "chão" que sustentava a tendência.
  • Vacilo (1-1): a virada falha na largada. O preço tenta reverter em uma onda só e é negado em uma onda só. Esse tropeço zera a favor do lado antigo.
  • Corte de LT: um candle fecha do lado errado da linha de tendência.

A Falha: o Chão da Tendência​

Toda subida com 3+ ondas carrega uma referência invisível: o fundo da última correção antes da última alta. Esse fundo é o chão que sustenta a tendência.

Se o preço fecha abaixo desse chão, a alta falhou.

Esse chão não é fixo. Ele caminha junto com o ciclo: a cada nova onda ímpar, a linha da falha sobe para o fundo da correção mais recente. Quanto mais a tendência avança, mais perto o chão passa a perseguir o preço.

Existe uma falha principal do ciclo. Fundos de ondinhas internas não devem ser tratados como a falha principal: normalmente eles entram como vacilo, foi mal ou como leitura interna do movimento.

Para estudar a regra completa, veja também Falha.

As Linhas de Tendência: o Corrimão do Ciclo​

As linhas de tendência funcionam como corrimões do movimento. Elas ajudam a visualizar quando o preço ainda está respeitando a estrutura e quando começou a atravessar para o lado errado.

No método, aparecem três leituras importantes:

  • LT Old School: vai do início do ciclo, o ponto A, até o fundo da onda 2, o ponto B, sem cortar candles. É o corrimão clássico.
  • LT Safada: sai do mesmo ponto A e vai direto até a falha. É mais agressiva: pode atropelar candles no meio do caminho, mas não pode cortar candles depois do vértice da falha.
  • LT do Biruleibe: são as mesmas ideias de LT, mas aplicadas nas ondas de dentro da última pernada. Só vale usar quando a linha interna fica melhor e mais distante da linha principal.

Para estudar as regras de traçado, veja Linha de Tendência nos Ciclos.

Nada Vale Sem Confirmação​

Qualquer evento importante nasce sub judice, isto é, em julgamento. Falha, corte de LT e zerada não devem ser tratados como verdade absoluta no primeiro toque.

O mercado precisa confirmar com um ABC na direção nova:

  1. Vai na direção nova.
  2. Respira contra ela.
  3. Vai de novo na direção nova.

Quando esse ABC aparece, o ciclo está parido: a contagem zera e passa a contar 1 na nova direção.

Se, antes dessa confirmação, o preço rompe de volta o extremo antigo, o evento morre. E se essa morte acontece em uma onda só, ela pode virar um vacilo, zerando a favor do lado anterior.

A Regra que Amarra Tudo: Concomitância​

Três relógios correm ao mesmo tempo, todos medidos a partir da última zerada válida:

  • o caminho da falha;
  • o caminho das LTs;
  • os padrões de zerada.

O que acontecer primeiro manda.

A âncora é sempre a última zerada válida. A contagem e as LTs partem dela, nunca de antes dela.

Resumo​

A contagem de ondas é o placar de um cabo de guerra.

As ímpares mostram os avanços do lado que está vencendo. As pares mostram os respiros. O placar zera quando o lado contrário prova, com evento e confirmação, que tomou o controle do movimento.